Domingo, Fevereiro 19
Soneto 81

Aqui, das grades deste sanatório,
São vistas criaturas tão normais,
Os eruditos, os intelectuais,
A padronização do envoltório.
Espécie de santinhos de oratório,
Na mão de cada um, um edelvais,
A sisudez como credenciais,
Não faltam bichos ao laboratório.
É cada um de si o próprio herói;
Por tolos tão amorfos, invejados;
De mestres são chamados, como sói,
Pela meiguice ingênua dos tarados,
Que nem mesmo imaginam como dói
Suportar o relincho dos letrados.