Sábado, Março 18

 

Corrida




A pressa é absolutamente inútil, ó crianças inquietas; podem deixar, melhor relaxar, pois o desassossego (no meio de outros sentimentos do mesmo naipe) tem a vida inteira pra brincar com vocês.

Aproveitem bastante, meninos, o advento do barbear charmoso que envaidece; sintam-se felizes, meninas, no ajeitar antecipado e sensual do soutien; porque daí pra frente, aquilo que os dicionários chamam de depois, tem sim algumas passagens dignas de um Nobel, mas tem também um exagero de intervalos comerciais de carregação.

Seus pais, melhor dizendo, seus avós, sonharam que eram Tarzan, o Zorro, Pelé, um Beatle, quando suas mães, talvez avós, incorporavam Grace Kelly, Sophia Loren, Ava Gardner, além da busca de uma corrente de ar que levantasse a saia igualzinho à de Marylin. Então aproveitem. Escolham seu Don Diego, sua Miss Monroe, e imaginem até que ele manda chocolates pra ela, acompanhados de um bilhete à moda humana: caligrafado.

Sejam simpáticas e educadas e façam disso uma extensão do hipotálamo. Não sejam formais, isso eu peço de joelhos. Não sei por quê, mas me veio agora o pensamento de que eu iria pra cama com um patife gentil, e, jamais, com um benfeitor mal-humorado. E essa idéia não foi só um passarim que me passou - foi Hitchcock com todos os seus corvos, pardais e gaivotas.

Sim, crianças, eu sei, tô sabendo que os ursinhos de pelúcia são hoje brindes de motel, e as peladas de rua são peladas no telessexo a quatro dólares por minuto. Mas o que vocês têm por dentro é o mesmo que tinham os amigos de Darwin.

Sim, concordo que por fora há muito diet e light e heavy, e há menos aves gorjeando aqui e lá; o lucro é questão de honra, a honra questão de lucro, e os mantos budistas são da Nike, que por sua vez está estatizada.

Calma, crianças, um dia, lá na frente, vocês hão de compreender que isso é facilmente incompreensível. Assim como incompreensíveis são pais, avós, amigos, amores, filhos e a Constante de Planck.

Quem é Planck?! Paciência, o mundo vai explicar direitinho. Quando souberem dêem um toque. Prometo discrição. E uma gratidão tão esplêndida quanto o som que certas mulheres fazem na hora irreversível: murmúrio de guitarra de fado.
Comments:
Parabéns pelo Blog, Alex.
Isso é certeza de boas e interessantes leituras.

Dunga
 
Querido Alex,
que bom te encontrar nesta rede (ou será teia?).
sua leitora e amiga,
Marize Castro
 
Até tu, maracatu?
Que maravilha.
Beijos.
A.
 
bom dia,
de uma ouvinte de um fado para quem curte jazz e de quem sou fã.Fico feliz por saber que está aqui na praça,com cheiros de eucaliptos de uma manhã preguiçosa. Lí sua entrevista na Preá e que bom que adotou a net, lí ontem Woden e que bom que fiquei sabendo...andemos
 
adoro o que você escreve, e, de vez em quando, vou fazer umas visitinhas por aqui...posso?
lissa
 
adorei Alex, apesar de saber que não é vc que posta, espero que visite esse espaço e goste!
 
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